[CRÍTICA] Esquadrão Suicida


Filme é excepcional e surpreende aonde muitos acharam que ele pecaria.

Cheguei ainda há pouco da Sessão de Esquadrão Suicida, e devo dizer que o filme realmente me surpreendeu. Eu gostei bastante de tudo o que vi, tendo alguns pontos mais destacáveis e outros menos memoráveis, mas como um todo, o filme vale demais o valor do ingresso.

O filme começa muito rápido e implacável, acho que isso foi uma das primeiras coisas que notei. A Velocidade com que tudo é apresentado, como se desenvolve e de repente, já estamos partindo para o desenrolar da trama, e tudo isso em muito pouco tempo de tela. Realmente, é um filme nervoso, a exemplo dos protagonistas, onde tudo acontece de forma rápida, direta e sem rodeios.

Diria até que essa objetividade das coisas foi algo muito bom. Acho que o excesso de atenção aos planos de fundo em Batman VS Superman foi algo que muitos não gostaram, queriam mais ação e menos história, por assim dizer, e embora Esquadrão tente trazer um pouco mais da alma e essência de cada personagem do grupo, mostrando um pouco de suas vidas antes da iniciativa, ele não focou nisso mais do que o necessário, dando bastante liberdade e espaço para que a trama principal se desenvolvesse em torno da situação que eles enfrentavam no presente.

Os personagens também foram um ponto alto, a caracterização de alguns deles ficou excelente, e deixou aquele gostinho de quero mais. Inclusive, mesmo com muitos atestando para o excesso de protagonismo em cima de Arlequina e Pistoleiro - eu não senti isso. -, eu gostaria de ver ainda mais deles dois, e claro, também dos demais.

Pistoleiro foi bem representado pelo Will, claro, poderia ter ficado melhor, mas eu gostei do que eu vi, um personagem levemente mais descontraído do quê o que víamos nas HQs e animações, mas que não perdeu a "alma de Assassino" por assim dizer! Lembrou bastante o Pistoleiro da animação 'Batman: Ataque ao Arkham', onde vimos um pouco desse lado mais humano dele. Gostei também de como exploraram a relação dele com a filha, foi tocante e deu um tom mais ameno ao personagem. Diria que foi 'ideal', porque se 'amenizassem' um pouco mais, ficaria ruim.

A polêmica cena do Batman aparecendo e rendendo ele na frente da filha não me causou nenhum tipo de estranheza. Batman já é um homem/personagem muito sequelado, e considerando a recente Morte do Superman, assim como os traumas anteriores que ele teve, não me surpreendeu a atitude 'foda-se tudo' dele naquele momento. Pistoleiro era um vilão 'impegável' até então, e mesmo com criança ali, devo admitir que o Batman, tendo esse senso de justiça tão forte como ele tem, e agora mais ainda, traumatizado pela morte do Superman, não perderia tempo em prender um 'criminoso'.

Muitos disseram que o Batman não deveria fazer aquilo na frente de uma criança. Porque ele mesmo havia sofrido daquilo, mas pensa só... Batman não iria matar o Pistoleiro, e a filha do cara parecia ser uma menina muito madura e entendida da vida, e claro, ela sabia bem dos trabalhos ilícitos do pai, e acho que não seria um 'problema' tão grande assim, ou mesmo um 'trauma' tão grave ver o pai ser preso por realmente ter feito coisas erradas. Achei que teve excesso de problematização com a cena, que a meu ver, fora padrão. Existem pessoas e pessoas, personagens e personagens, e claro, versões e versões de um mesmo personagem. Não achei o Batman de Esquadrão Suicida menos Batman do que o Batman das HQs, é apenas mais uma nuance dele, que não era explorada com frequência, mas que naquela cena foi.

A Vontade, o desespero de pegar o cara a qualquer custo, foi assim que interpretei a coisa. Se bem quê, embora saibamos que Esquadrão Suicida se passa depois do que aconteceu em Batman VS Superman, não podemos afirmar com precisão que a prisão dos membros que faziam parte do Esquadrão também ocorreu depois daquilo.

Batman poderia ter prendido eles bem antes do Superman se quer ter enfrentado Zod em Metrópolis, mas isso nós não sabemos com precisão, por isso não dá pra deduzir exatamente o que teria levado o Batman a agir como agiu naquele momento, então deixemos por isso mesmo.

Arlequina foi outra personagem que eu adorei. Isso já estava mais do que certo para mim. Eu sabia que iria amá-la, e realmente amei. Margot incorporou bem a essência dela, e nos trouxe uma Harley forte, safada, intensa, ousada, louca e muito cômica. Realmente, funcionou que foi uma beleza. E eu, obviamente, gostaria que tivesse tido mais dela. Mais falas dela, mais tiragens dela, mais momentos dela. Sim, eu gostei tanto que achei os momentos dela no filme muito poucos. Queria ter visto mais, até porque, embora eu tenha gostado demais dela, houve sim algumas piadinhas ou trocadilhos que eu não achei lá essas coisas não... Poderiam ter caprichado mais.

A Relação dela com o Coringa foi, a meu ver, exagerada e conturbada. Quem lê as HQs, sabe que não foi exatamente tão fácil assim tornar a doutora uma louca psicótica, amante do palhaço do crime. Foi todo um processo para isso, tanto na questão de tortura física, como psicológica. Eu vejo isso como se o Coringa tivesse plantado nela esse amor, e não que ele houvesse surgido naturalmente como o filme mostrou. Os Flashbacks revelaram que a Harley, mesmo sendo psiquiatra, já tinha uma certa propensão para a loucura e para a insanidade que o Coringa oferecia a ela. Foi muito fácil, como apenas dar um passo a frente e páh! A Mulher normal virou uma louca.

Gente, não foi bem assim, e embora eu soubesse que o Diretor não tinha e não deveria dar muito tempo no filme para desenvolver isso, eu não posso dizer que fiquei muito satisfeito com o que vi dessa relação.

O Coringa, eu confesso, me decepcionou. E digo isso porque não vi apenas um Coringa, eu vi vários Coringa nas interpretação de Leto, um brigando com o outro para ver quem ganhava o protagonismo da vez. Eram várias versões do Coringa ali, e não era algo que chegava há um acordo, um ponto em comum. Eu tive essa impressão, e pelo fato deu não conseguir identificar qual o Coringa que ali havia, eu fiquei meio descontente com ele. 

Fora quê, aquele excesso de 'Amor' e 'devoção' que ele teve pela Arlequina no filme me deixou muito incomodado. Coringa não ama a Harley daquela forma. Ele a tem como uma propriedade, como algo que lhe pertence, e por vezes, fica claro que ele a usa como um Objeto. Ele usaria a Arlequina de Escudo humano apenas para sair vivo de uma situação. E quando eu vi toda aquela disposição dele em tê-la de volta, eu fiquei meio abismado, porque a relação deles é tórrida e visceral, mas não é daquela forma não, e eu acho que David Ayer exagerou aí.

O Coringa é mais importante para a Arlequina do que a Arlequina é para o Coringa, e o que eu vi ali não foi bem isso. Acho que foi uma deslizada séria que ocorreu com eles, embora também não tenha sido algo tão incômodo assim.

Sobre o Coringa em si, achei que precisou de mais loucura, mais sorrisos, mais da 'risada maligna'. Daquele sarcasmo, daquele cinismo. Eu realmente espero ver esse lado dele em um futuro confronto com o Batman. Mas por enquanto, ainda estou preferindo o Coringa do Nolan.

Rick Flag foi, sem dúvida, a grata surpresa do filme. Na minha opinião, ele foi o verdadeiro protagonista, pois eu tive a impressão de que ele apareceu mais e teve um papel mais forte na história do que o próprio Esquadrão. Tipo, foi basicamente por culpa dele que tudo aquilo começou. Ele que mandou a Magia fugir, e ele que omitiu tudo, até da Waller, para protegê-la. E no final, foi ele quem falou mais, apareceu mais, dramatizou mais e também agiu mais... Eu gostei bastante dele, e olha que eu pensei que ele fosse simplesmente um personagem feito para encher linguiça, mas não, foi tão protagonista quanto os outros e a personalidade dele muito me atraiu.

Eu até poderia falar mais dele, e do quanto gostei do cara, mas vou tentar resumir porque se não vai ficar enorme.

Capitão Boomerang, um dos meus favoritos pelos trailers, foi uma bela decepção. Ele sim foi o personagem colocado lá para 'encher linguiça'. A participação dele foi medíocre, as cenas de luta dele foram quase inexistentes, e ele passou uma impressão de que se estivesse ou não presente, nada mudaria, nem para mais e nem para menos. Diria que ele foi um 'alívio cômico' para a coisa toda. Não que o filme precisasse disso, mas um personagem que não é desenvolvido e que fora jogado a esmo na produção, teria que ter uma função, né?! No mais, adorei o 'Pinky', me lembrem de comprar meu próprio Unicórnio Rosa quando for às compras.

El Diablo foi um personagem que realmente me deixou contente, ele foi excelente e me surpreendeu muito. Adorei a história dele, o passado dele, a forma como ele via o mundo e se culpava por isso. Acho que de todos ali, ele era o único que realmente não era 'mal' por assim dizer. Era apenas um homem que cometeu um erro, movido pela raiva e por emoções que não podia controlar. E no final, acho que junto do Pistoleiro, ele foi um dos mais humanos do filme. Claro, ele se destacou também pelo uso de seus poderes, que eu acho o melhor entre os membros do Esquadrão. A Luta final dele contra o 'Irmão da Magia' foi muito boa, e o sacrifício dele deixou aquele Ar de dignidade em cima do personagem. Eu realmente adorei isso.

Katana, assim como Amarra, são personagens neutros. Estavam lá apenas por estarem, e não acrescentaram nada ao filme. Achei inclusive, os dois incrivelmente descartáveis e desnecessários. Katana não se mostrou como 'membro do Esquadrão', e sim com uma das mocinhas, 'teoricamente'. Amarra foi aquela coisa rápida e sem importância. Nunca gostei dele nos trailers e no filme, menos ainda. Mas de fato, teve algo em relação a ele que eu gostei sim, e foi a sua morte! 


Crocodilo é o único personagem ao qual eu não irei comentar. Não sei o que dizer sobre ele, porque não consegui me decidir se gostei dele ou não. Ou mesmo se a presença dele no filme foi relevante ou não, então deixa quieto.

Já com relação a Amanda Waller, o que podemos dizer? Viola Davis é uma atriz de Oscar, de Emmy, uma atriz 'premium' no cenário americano e não é por pouca coisa não, a mulher tem garra, atitude e carisma quando se empenha em atuar, e Amanda Waller, embora seja uma personagem difícil e complexa, foi fichinha para Viola, que deu vida há uma das 'divas' da DC Comics com maestria. Eu simplesmente fiquei apaixonado pela Amanda, achei ela formidável, e a forma como ela manipulava a tudo e a todos também me deixou babando. Aquela fidelidade monstruosa me deixou tão orgulhoso, tão feliz, que eu não posso deixar de não amar a Viola. Gente, deem o Oscar para essa Mulher, porque ela merece!

O Esquadrão e seus demais personagens me deixaram satisfeito, como um todo, embora houvesse sim alguns pequenos motivos para se reclamar. Mas agora, estou afim de falar dos vilões e da trama em si, que achei mediana.

Eu falei no começo desse review, que o filme era bem rápido e objetivo, bem direto mesmo. E isso era um ponto positivo, pois assim veríamos muito e em muito pouco tempo, focando mais na ação e não tanto na história. Acontece que nada é tão bom que não tenha pelo menos um ponto ruim, e neste caso, essa velocidade toda do filme comprometeu a Magia.

Ela carecia de história, ela carecia de tempo, ela precisava de mais espaço na tela para se contar. E faltou isso para ela. Porque como Vilã, ela deixou muito a desejar. Tipo, ela é uma ótima personagem e suas habilidades são incríveis, mas como Vilã do longa, ficou morgado e sem sentido. Eu esperava que Esquadrão Suicida trouxesse um 'prelúdio' de Darkseid, ou quem sabe um prelúdio de SteppenWolf. Como algum pseudo-vilão de Apokolips, servo do Darkseid que vinha 'testar' o terreno na terra.

Mas não, os vilões realmente foram a Magia e o irmão dela. E isso me broxou muito, porque ela não tinha motivos interessantes ou realmente vilanescos para ser o inimigo da vez. Porque ela queria ser a vilã? Porque ela queria destruir tudo? Porquê a Amanda estava com o Coração dela. Porquê os humanos haviam parado de adorar as entidades de outra dimensão como 'deuses'. Tipo... Não eram motivos 'bons'. Não existam motivos bons e isso foi muito mal trabalhado ou até mesmo... 'Nem foi trabalhado'.

Ela não tinha motivos reais, fortes ou convincentes que a levassem a ser a 'grande' vilã da história. O Drama dela com a June realmente afetava apenas o Flag e enriquecia o personagem dele, e não o dela. Pois a Amanda usava tudo isso a seu favor.

E pergunto mais... O que ela queria? Quais eram os Objetivos dela? O que ela pretendia, afinal? Eu vi muito um falatório de 'destruir exércitos', e 'criar uma máquina para destruir os humanos, porquê os humanos veneravam as máquinas'. Tipo... Que lixo véio... Como assim? Isso não é um motivo legal ou coerente, ou até mesmo interessante para um vilão.

E depois que ela destruísse o Exército dos humanos, matasse todos os humanos, e deixasse apenas alguns poucos vivos para venerá-la como deusa, o que aconteceria? Ela 'dominaria' a Terra?! Gente, não deu, não engoli e não entrou. Careceu de muitas explicações e razões realmente convincentes para aquilo, e ela, como vilã, realmente não me convenceu em nada.

Veredito? Ela não foi uma boa vilã!

Nem ela e nem o irmão dela. Porque se ela não tinha motivos ou razões para ser uma boa vilã ou para se tornar uma boa vilã, quem dirá o irmão dela que foi libertado, jogado no mundo com poucas instruções e só fez o que ela pediu, sem pestanejar. Não foi elaborado, e a impressão que tive é que aquilo foi jogado para o público apenas porquê o filme 'precisava' de um vilão.

O Tempo de ocorrência dos eventos também foi outra coisa que me deixou cabreiro com Esquadrão Suicida. Flash apareceu e prendeu o Capitão Boomerang nos Flashbacks, mas lá, ele já estava usando a Armadura do Flash. Sendo que vimos no Trailer de Liga da Justiça, ele olhando com admiração para o Uniforme do Flash, como se fosse ali, pela primeira vez, que ele estivesse sendo apresentado ao mesmo. Porém, Liga da Justiça ocorre depois de Esquadrão Suicida, então como o Flash já tinha o Uniforme dele se é o Batman quem, teoricamente, vai dar aquele uniforme para ele no filme da Liga?! E detalhe, como era um Flashback, é notório deduzir que o Flash prendeu o Capitão Boomerang antes do Esquadrão... Ou seja, muito antes dele se quer conhecer o Batman.

Ou será que logo após Batman VS Superman, o Batman já havia corrido atrás dele, já o havia conhecido e ele prendeu o Capitão pouco depois de ganhar o Uniforme, o que resultou na cena de Esquadrão? Não sei, mas é confuso, né?! Vocês perceberam a confusão?

E ela fica ainda pior quando pensamos na cena pós-crédito, quando a Amanda - aparentemente sabendo que Bruce é o Batman. - entrega para ele uma lista com os Meta-Humanos conhecidos pelo Governo, e ele a folheia como se fosse a primeira vez que estivesse vendo. E ainda diz para a Amanda, 'Eu gosto de fazer amigos', quando ela o questiona do porquê dele querer a lista. Sendo que ele diz isso como se 'ainda' fosse fazer.

Então, precisamos ficar atentos a isso aí, porque o Tempo em Esquadrão pareceu meio 'fora de controle' em alguns momentos.

Outro ponto que me fez amar Esquadrão, foi que as coisas que eu achei que me decepcionariam, acabaram me surpreendendo ou mesmo não me incomodando. O Filme manteve o ar sombrio, obscuro, noturno, adulto, sóbrio e muito realista da DC, e adicionou o dito cujo 'humor'.

Eu morria de medo desse humor, e no final, me surpreendeu, porque eu não achei ruim, não achei forçado, não achei que foi desnecessário e o Tio Ayer soube colocá-lo muito bem. Eu não torci o nariz em nenhuma cena de humor, até ri de uma ou outra tirada da Harley. E isso foi algo que realmente me surpreendeu, porque eu já fui preparado para ver o 'humor' do filme e odiá-lo logo de cara, mas acabei tomando um belo banho de água fria dos meus próprios preconceitos, e no final, eu até curti.

Mas que não passem disso, porquê se não estraga.

Enfim, Esquadrão Suicida é um filme competente que cumpri o que promete. Ele é divertido e bem feito, criado com o intuito de levar o fã ao cinema e fazê-lo se divertir, somente. É uma produção despretensiosa que não se esforça em nada para ser um filme grandioso, muito pelo contrário, ele vem apenas para acrescentar e divertir sem exageros, o que torna tudo muito descomprometido e gostoso de se ver, porque eu, particularmente, não senti 'aquela cobrança' de que tinha que ser um filme espetacular e formidável. Não, ele é apenas um filme muito bom, feito para ser um filme muito bom e só isso. Ou seja, cumpriu bem seu propósito, e fez a ligação para que o filme da 'Liga da Justiça' fosse criado.

Eu adorei Esquadrão, foi realmente muito bom, e pretendo assisti-lo novamente em breve, pois ele realmente merece uma segunda olhada. O Filme tem sim seus altos e baixos, mas é algo bem distante e totalmente diferente do que a Crítica disse. Realmente, o representante da Warner estava certo, existe uma diferença absurda entre o que está sendo mostrado e o que os fanboys da Marvel críticos estão vendo.

Por fim, é isso. Vão ao cinema pessoal, o filme vale demais o ingresso. Abraços e fui!