Compra resultará na criação de uma empresa que vale mais de US$ 300 Bilhões.
A AT&T anunciou oficialmente, a compra da TimeWarner Company por cerca de US$ 85 Bilhões de dólares. O Acordo deve ser assinado nesta Segunda-Feira.
A TimeWarner, em um passado não muito distante, já foi considerada como o maior conglomerado de mídias do mundo, e chegou a valer, na época, pesados US$ 150 Bilhões de dólares. No entanto, Google, Disney e Comcast começaram a agir, e com o tempo, a TimeWarner veio perdendo dinheiro, receita e prestígio no mercado, até cair do 1a lugar.
Hoje, a empresa ocupava a 17a posição no ranking dos maiores conglomerados de mídia do mundo, valendo pouco mais de US$ 70 Bilhões. Uma desvalorização de mais de 50% em 6 anos.
O atual e então CEO da empresa, Jeff Bewkes, começou a enfrentar problemas com seus acionistas em 2014, quando os mesmos ansiavam pela entrega de maiores lucros, ou mesmo que Jeff, acionista majoritário e detetor de 51% das ações da empresa, vendesse a companhia. Não se tratava de uma crise financeira, mas sim de um ânsia extrema por geração de mais capital, aliada a pouca vontade de permanecer dirigindo os negócios.
Jeff relutou, e mesmo recebendo uma proposta de compra de US$ 80 Bilhões da 20th Century FOX, a TimeWarner se manteve forte, negando-se a ser vendida.
Em seguida, empresas com Apple, Google e Disney começaram a mirar seus olhares na gigante americana. Cada uma delas, com seus próprios objetivos, mas uma mudança na forma como a TimeWarner lidava com suas ações na bolsa, minou o interesse das 3 possíveis compradoras.
2 anos depois, e mesmo apresentando um ano fiscal maravilhoso, a TimeWarner foi oficialmente vendida para a AT&T, a maior e mais poderosa empresa de telecomunicações dos Estados Unidos. Além do valor ser maior do que o oferecido pela FOX, a mesma não era uma empresa de mídia, ou seja, não iria reduzir a concorrência no mercado com a aquisição, e nem minimizar a TimeWarner, deixando-a com a sua atual liberdade criativa e operativa no mercado. E com isso em mente, nada muda... Teoricamente!
Fora quê, unida à AT&T, a TimeWarner agora faz parte de uma empresa que passou a valer com a aquisição, mais de US$ 300 Bilhões de dólares. O que a torna imune a possíveis novos compradores, uma vez que não exista empresa no mundo que tenha, ou mesmo, que esteja disposta a pagar tal quantia por ela. A aquisição, é um escudo quase indestrutível para a TimeWarner.
A AT&T, obviamente, também ganha seus devidos benefícios, ao conseguir o maior e mais poderoso estúdio de cinema de Hollywood (Warner Bros) para si, assim como também tornar-se dona da maior rede de televisão a cabo do mundo (Turner Broadcasting System), que além de ser proprietária de franquias milionárias, possui canais como Cartoon Network, CNN, TNT, TruTV, TBS e outros sobre seu controle. Também vem a ser a nova dona da maior rede de canais 'premium' do mundo, a HBO, e por consequência, ganha o controle de propriedades como Westworld e Game of Thrones. E claro, não vamos nos esquecer que no pacote, também vem incluído a DC Comics, a maior editora de Quadrinhos do planeta, e todas as suas propriedades. Outras empresas de menos valor, como WaterTower Music, Warner Games, New Line Cinema, Castle Rock Entertainment e outras também pertencem a TimeWarner e estão inclusas no acordo.
Lembrando quê, a AT&T comprou a gigante da TV por Assinatura DirecTV por US$ 48 Bilhões em 2014. O que dá a Turner e a HBO um poderio sem igual na TV paga norte-americana, uma vez que seus canais agora terão um distribuição privilegiada, por pertencerem ao mesmo grupo.
Quem perde com isso?
A Netflix, sem dúvida, será uma das grandes atingidas pela aquisição. Já havia há algum tempo, uma pressão dentro da TimeWarner, feita pela HBO, para que os conteúdos da empresa fossem retirados da Netflix. O lançamento da plataforma própria, a HBO Now, acentuou ainda mais esse desejo, e na época, Turner e Warner retiraram muitos conteúdos da DC Comics e Cartoon Network do serviço.
Agora, com a AT&T como proprietária, a coisa deve ficar ainda pior para o Netflix. Além de ser dona de uma das maiores empresas de TV por Assinatura do USA, que vem sendo fortemente atingida pelo desenvolvimento do modelo econômico da Netflix, a AT&T e o serviço de Streaming já andaram se estranhando nos bastidores das grandes corporações americanas.
A Netflix acusou a AT&T, e não foi só uma vez, de ferir a Neutralidade de Rede, uma vez que a banda larga ofertada pela mesma, e seu valor de comercialização minimizavam o acesso do público aos serviços da Netflix. A AT&T, obviamente, se defendeu, e criticou o CEO da Netflix, o acusando de ser arrogante demais em suas exigências.
Agora, não será difícil imaginar que a Netflix será a maior prejudicada com essa aquisição, uma vez que tanto a DirecTV, quanto a HBO irão 'fazer a cabeça' da nova dona para que os conteúdos sejam reivindicados e retirados do serviço. Além do mais, acredito que tal apelo nem seja necessário, uma vez que AT&T não vê a Netflix com bons olhos. Pois é, amiga, se prepara, pois lá vem chumbo grosso.
No Brasil, o Grupo Globo pode ser um dos grandes prejudicados. O Motivo disso, é que a SKY Brasil, que pertence ao Grupo DirecTV, é uma das propriedades da AT&T. E a GloboSat possuí 7% de participação na mesma. Com isso, ela veta canais concorrentes, faz exigências por numeração e distribuição, além de outras práticas ilícitas. O Fato da Turner e da HBO agora pertencerem ao mesmo Grupo da SKY, fará com que a operadora dê mais destaques aos canais de ambas, deixando a GloboSat de lado, que não só pode perder as suas regalias, como verá a sua concorrente mais direta crescer imensamente.
Sem a influência do Grupo Globo, a Turner poderá colocar todos os demais canais da mesma na SKY sem resistência, e fazer ela mesma as suas devidas exigências. A Relação da SKY com a HBO, por sua vez, sempre foi boa, e agora então, não irá ter precedentes.
Claro, a lei do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado), aprovado pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) e pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) no Brasil, impede que Operador e Programador pertençam ao mesmo grupo. Então, existe a possibilidade de, no Brasil, ser exigido a venda da SKY para que o acordo seja aprovado. Logo, ainda é cedo para dizer qualquer coisa sobre isso.
Ano passado, a TimeWarner reportou receitas de US$ 28 Bilhões, com lucro de US$ 4 Bilhões. Já a AT&T, reportou receitas de US$ 147 Bilhões, com lucro de US$ 13 Bilhões. A Compra será paga com partes em dinheiro, e as demais em ações, o que carateriza uma 'fusão empresarial'.
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