E essa não é a primeira vez que a empresa do Grupo Globo é acusada de algo do tipo.
A GloboSat joga sujo, e disso, ninguém duvida. Afinal, muitas de suas conquistas na TV paga, não foram por mérito próprio ou por qualidade, e sim por práticas ilícitas, muitas vezes acobertadas pelas próprias operadoras de TV. Desde que o mercado de TV por Assinatura existe no Brasil, que as coisas são assim, mas há grupos rivais que não tem medo da briga, e vão mesmo meter a boca no trombone para denunciar essas práticas, vistas por todos como 'indevidas', e que obviamente, ferem o princípio da livre concorrência.
Agora, parece que a GloboSat e suas cúmplices terão que finalmente, prestar contas com um órgão fiscalizador sobre este assunto. O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) está enviando alguns questionamentos às operadoras, principalmente as que possuem a maior participação no mercado (América Móvel, AT&T e Telefônica) sobre a possibilidade da GloboSat possuir poder de 'veto' pré-definido no acordos de postes ou mesmo alguma participação acionária nas empresas que também possa lhe dar tal regalia.
A Investigação, inclusive, já veio de forma tardia, pois vários Grupos de TV, durante muitos anos, vem denunciando as práticas ilícitas da GloboSat e das Operadoras. O primeiro foi o Grupo Bandeirantes, também Brasileiro, quando lançou seu canal esportivo na TV paga, o Band Sports. Nem preciso dizer que a Band sofreu o pão que o diabo amassou para adicionar o canal nas operadoras, e somente quando se mostrou passiva o suficiente para se fazer entender que não iria comprometer o domínio do SporTV (GloboSat), foi que a emissora conseguiu seu devido espaço.
Em 2011, com o investimento da Fox International Channels, o canal FOX Sports chegava ao Brasil, e com a exclusividade de transmissão da Copa Libertadores da América, um produto de peso que poderia roubar uma boa audiência do SporTV. Viu-se então outro inferno, pois a Fox suou para colocar esse canal nas operadoras, assim como o posterior, vindo após seu lançamento, o FOX Sports 2. Depois que finalmente conseguiu, a primeira coisa que fez foi licenciar a Libertadores para o SporTV, como um pedido de desculpas por 'incomodar' o Rei. Desde então, o canal se mostrou passivo em relação aos competidores, e não adquiriu mais nenhum evento de peso.
Agora, a Turner, que diferente das demais, não está interessada em ser passiva, e almeja a liderança de mercado, vem com o Esporte Interativo tentando penetrar as operadoras de TV, e brigando diretamente com a GloboSat pelo maior campeonato do país, o 'Brasileirão', e ainda trazendo a exclusividade da UEFA Champions League, essa tarefa está se mostrando ser 2x mais difícil do que foi para as demais.
Todos os três grupos, em diferentes momentos, disseram a mesma coisa... 'A Culpa é da GloboSat, que tem participação acionária nas operadoras e pode vetar canais concorrentes que possam ameaçar a liderança de mercado do SporTV'.
Foram três empresas diferentes afirmando a mesma coisa, e a GloboSat, juntamente com as operadoras, estava sempre negando.
Mas, devido ao já sabido monopólio televisivo que o Grupo Globo possui em relação aos times de futebol no país, assim como as transmissões de seus devidos campeonatos, o CADE se viu obrigado a agir e investigar essa situação mais afundo. Afinal, onde há fumaça, há fogo!
O Órgão fiscalizador enviou um questionário simples com 3 perguntas para as operadoras NET, SKY e Vivo TV, alvos principais das acusações dos programadores.
A primeira pergunta foi bem direta, e já tocou no assunto com bastante objetividade: "1 - O Grupo Globo possui alguma participação acionária na empresa ou no Grupo?"
A segunda pergunta, é bem mais específica, mas igualmente direta: "2 - O Grupo Globo detém alguma influência, decorrente de participação societária, contratos, ou de qualquer outra natureza, na tomada de decisão no que se refere a sua operadora de TV fechada, especificamente, mas não se limitando a: Oferta, empacotamento e disponibilização de canais, formatação da grade de canais e conteúdo ofertado?"
Por fim, o órgão questiona diretamente sobre o 'poder de veto', tanto denunciado pelas empresas concorrentes da Globo: "3 - O Grupo Globo possui qualquer direito de veto, decorrente, por exemplo, de estatuto, regimento, acordo de acionistas e etc., nas decisões tomadas por sua empresa? Ou seja, caso sua empresa tenha interesse em firmar um contrato com um grupo de Comunicação, para que esse passe a integrar a sua grade de canais, o Grupo Globo poderia, de alguma forma, vetar essa operação? Em caso de resposta positiva, esse poder de veto foi utilizado alguma vez nos últimos 5 anos?"
As operadoras, obviamente, podem escolher responder 'Não' para todas as perguntas. No entanto, isso poderia incentivar o CADE à gerar uma investigação mais profunda, e assim, solicitar os contratos de poste da GloboSat com as empresas, para verificar se existe alguma cláusula de confidencialidade nos mesmos que indique tal poder.
Se tal falcatrua for mesmo comprovada, tanto a GloboSat, como as operadoras em questão, terão sérios problemas com o CADE, pois tal prática pode ser entendida como uma infração a livre concorrência, e é passível de punição pelo órgão.
O CADE passou a olhar para essa questão com olhos mais interessados, ao acompanhar de perto os problemas que a Turner vinha tendo ao tentar fechar um acordo com as Operadoras. Especificamente, em relação aos canais Esporte Interativo. De novo, o problema envolvia um canal do segmento de Esportes, e de novo, um que tinha potencial para desbancar o SporTV.
Em meados de 2015, quando a situação se desenrolava de forma ainda mais complicada, a Turner afirmou que havia fechado um importante acordo com duas grandes operadoras, mas que apenas 2 dias depois, as empresas voltaram atrás, e desfizeram a concordância que tinham sobre o acordo, e tudo isso, com os valores já acertados, e bem abaixo do que era comumente negociado no mercado.
No mesmo período de tempo, um dos representantes da GloboSat se manifestou de forma suspeita na mídia. Dizendo que haviam 'loucos no mercado', referindo-se a Turner, que tentava empurrar mais um 'player' no segmento esportivo.
Pouco depois, ao ter sido acusada de boicote, a GloboSat se manifestou, negando todas as acusações e informando que a empresa americana estava apenas 'reproduzindo' o discurso da Fox, que também teve problemas com sua emissora esportiva, e que sem mais e nem menos, decidiu culpar a GloboSat.
No entanto, o CADE está determinado a chegar até o fundo disso, e averiguar se realmente, a GloboSat tem sim alguma influência, ou mesmo é a grande responsável por todo esse problema que as concorrentes tem em relação ao segmento esportivo no país.
Atualmente, Turner já fechou com todas as grandes operadoras, e está negociando com vários times a exibição do Brasileirão na TV fechada a partir de 2019. De todos os times, resta apenas o Palmeiras para ser negociado. Time esse que não se mostrou tentado nem pela proposta do SporTV e nem pela do Esporte Interativo, preferindo decidir em um momento posterior.
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