Longa é um dos melhores filmes do ano.
Ontem, eu tive o enorme prazer de poder assistir Animais Fantásticos e Onde Habitam, e devo dizer, o filme é absolutamente maravilhoso e me fez pensar que realmente o ‘mundo da magia’ de Harry Potter havia voltado.
A emoção não pôde ser contida logo nos primeiros segundos, com o brasão da Warner Bros surgindo em tom totalmente cinza na tela, com aquele aspecto sombrio e tenebroso que era tão típico dos filmes de Harry Potter. A Gritaria na sala de cinema foi geral, e assim como eu, penso que a mesma emoção que se apoderou de mim, havia contagiado a todos ali presentes.
Não tinha como não se emocionar com essa abertura nostálgica e inesquecível. Quem é fã, sabe do que eu estou falando.
O Filme começa de forma simples, porém direta, mostrando fatos que estão ocorrendo no mundo bruxo naquela época, e as crises que as comunidades bruxas estão vivendo.
Em seguida, Newt nos é apresentado na atuação de Eddie Redmayne, como um rapaz tímido, de poucas palavras, de um jeito esquisito e bastante introvertido. Eu realmente espero que J.K Rowling tenha mesmo imaginado o personagem daquela forma, pois se ele foi criado sendo somente baseado numa atuação espontânea de Eddie, eu devo dizer que ele realmente não mereceu o Oscar no ano em que ganhou com seu papel em ‘A Teoria de Tudo’. Pois o rapaz simplesmente não tinha expressões.
O Filme, diferente dos demais da série Harry Potter, que sempre eram sombrios e exploravam dramas pesados que os protagonistas vivenciavam, é muito divertido, e você pode dar algumas ótimas gargalhadas com ele. Newt e seus animais realmente são um deleite, porque embora sozinho, ele não impressione da forma que eu pensei que impressionaria, quando posto ao lado dos bichinhos, tudo ganha mais cor, mais vida, tudo torna-se mais instigante, e as tentativas de Newt de recuperar aqueles que fugiram de sua mala são sem dúvidas, hilariantes, e conferem momentos muito agradáveis e emocionantes de se assistir no longa.
No entanto, se o Sr. Scamander não chama a atenção por sua personalidade, os demais personagens se destacam nesse campo. Jacob é um ‘trouxa’, ou ‘Não-Maj’ como são chamados no USA, que acaba se envolvendo com os personagens principais devido a uma série de confusões causadas pela fuga do Pelúcio de Newt, um dos animais mágicos que aparecem no filme.
Após descobrir sobre a existência de bruxos e magia, Jacob acaba se envolvendo com toda a trama e a vida dos personagens bruxos, conhecendo mais e mais do mundo mágico e se encantando pelo mesmo.
Ele se destaca dos demais de uma forma em que eu posso falar convictamente que ele foi o ‘melhor do filme’.
Ele é muito engraçado, muito divertido, a cada cena em que ele surgia, você sentia vontade de rir, e bastava ele abrir a boca para você concretizar esse riso. O gordinho é um fofo, o real ‘alívio cômico’ do longa, não que o mesmo precisasse, pois é inteiramente divertido. Mas Jacob se sobressaia em meio a tudo. Cada expressão, cada frase, diálogo, e cena, ele era a real estrela da coisa, e J.K Rowling se superou ao criar um personagem tão carismático e que possivelmente será bem mais lembrado que o protagonista meia boca.
Tiny foi outra personagem bem interessante. Ela era uma Ex Auror da Macusa, que foi suspensa do cargo devido a uma infração. Ela se envolve com Newt ao perceber que seus Animais estão causando o caos em Nova York, e ao descobrir por A+B que a situação é mais séria do que se pensava, ela decide ajuda-lo, se envolvendo profundamente na trama e até mesmo de forma emocional com Newt.
Fisicamente e do ponto de vista romântico, a personagem não é grande coisa, mas acho que combinou perfeitamente com o loiro da Lufa Lufa, que também não inspira graça.
Queenie, uma bruxa peculiar, é a irmã de Tiny. Ela é bonita, carismática e sensual. Possui o poder de ler as mentes, e claro, é outra personagem que se destaca na multidão. Queenie acaba por se envolver emocionalmente com Jacob, formando um ‘par romântico’ fofo e natural, com muita simplicidade e desenvoltura. E eu realmente amei isso, pois sem dúvida, é um filme para se lembrar mais dos antagonistas do que dos protagonistas.
Os Animais de Newt, as ‘verdadeiras estrelas’ do filme; apareceram de forma mais contida. Pois com exceção dos que fugiram, e que tiveram suas sequências de captura muito bem planejadas e que envolveram comédia e ação ao mesmo tempo, as demais ‘Bestas’ que Scamander cuidava foram mostradas de relance, ao termos uma visão mais contemplativa do interior de sua peculiar mala-zoológico.
Haviam animais tão espetaculares, que realmente seria maravilhoso se fossem eles a terem escapado, mas se os que fugiram já estavam causando o caos sendo de tamanho médio, imagino se algum realmente grande ou perigoso escapasse, seria de fato, complicado, não? Mas claro, como telespectadores, sempre queremos mais de situações assim.
O Filme se divide em suas faces, uma mais simples e amena, e outra mais séria e densa. A História do vilão do filme e dos ocorridos que assolam o mundo bruxo na época é mostrada superficialmente no começo da trama, sendo logo jogada para o plano de fundo devido aos incidentes cômicos e de certo modo, trágicos, envolvendo os bichinhos de Scamander. Logo após isso ser resolvido, Newt e seus amigos descobrem que o que realmente está causando problemas em Nova York é um outro animal fantástico, um bem perigoso, e que não pertence aos que Newt coleciona.
Decidido a salvar este animal, antes de salvar as pessoas ou mesmo a cidade, Newt acaba se envolvendo na trama de plano de fundo, que é tensa, sombria e bem complicada. Chegando até mesmo a enfrentar um inimigo perigoso e astuto, tão vilanesco quanto Voldemort. Isso, sem dúvida, foi surpreendente, pois a história mudou da água para o vinho, de comédia para a ação, da descontração para a tensão em pouquíssimo tempo.
E claro, Animais Fantásticos teve um final surpreendente, que ninguém realmente esperava e que todos aplaudiram quando finalmente entenderam do que se tratava. Isso, é algo raro de se ver, e algo que merece ser aplaudido. Um filme que surpreende e encanta, que diverte e te garante uma boa dose de ação. Um filme que se sobressai por cima das expectativas. Animais Fantásticos surpreende e sem dúvida, dá continuidade ao mundo mágico de Rowling de forma digna.
No entanto, nem tudo são flores na produção, e Animais Fantásticos teve sim suas falhas. A primeira coisa que me incomodou foi o CG de baixa qualidade. Sim, alguns Animais estavam ‘Ok’, outros, muito mal feitos, como foi o caso do Pássaro-Trovão, feito de uma forma tão artificial e pouco trabalhada que chegou a se destacar na tela pelo CG evidente e precário no qual foi feito. Ele parecia um personagem de um Game do início da Era 3D, e não algo feito em 2016 por um grande estúdio.
E isso é uma tendência que está ocorrendo em toda a Hollywood. Pois se comparamos os filmes dos anos 2000, como os primeiros de Harry Potter e O Senhor dos Anéis, com Animais Fantásticos e O Hobbit, veremos a queda visceral na qualidade técnica da produção.
Disney, Universal, Sony e outros também caminham nesse sentindo, deixando os efeitos visuais mais evidentes e menos realistas, ou seja, um trabalho feito as presas, sem cuidados, e com pouca qualidade, o que reflete diretamente num produto final que poderia ter sido bem melhor, se os estúdios fossem tão caprichosos quanto eram na década passada.
Animais Fantásticos também não deu muito material para os filmes seguintes, deixando tudo como uma grande incógnita. O Vilão ‘master’ da época foi preso e derrotado. Tudo foi resolvido, Nova York foi salva, e tudo acabou bem...
Nenhum vilão ficou solto, nenhuma linha ficou desamarrada, e com o anúncio de que a franquia pretende ter 5 filmes, o que Rowling fará para a ‘continuação’ se o filme não deu margem para uma continuação?!
A mesma coisa eu posso dizer dos planos do vilão. Eles não ficaram claros, e embora o filme trouxesse toda uma atmosfera de ‘trama oculta’ e ‘plano maior’ desenrolando por debaixo dos panos, acabou que isso nem ocorreu de fato. Já que tudo fora resolvido logo nesse primeiro filme.
Careceu daquele velho e bom enredo que se arrastava nos bastidores e que só iria se revelar no último filme, mas o que vi foi um filme criado apenas para ser um divertido e saudoso spin-off dos originais, que promete divertir sem pretensões.
Contudo, Animais Fantásticos vale demais o preço do ingresso, pois é uma aventura deliciosa, divertida e emocionante, e merece demais a nossa atenção, tanto pelo sentimento de saudosismo que nos preenche ao rever o mundo da magia que tanto amamos, quanto pelo prazer de assistir um excepcional blockbuster.
Acreditem, vale demais a pena conferir.
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