Namco Bandai insiste em lançar o jogo exclusivamente para um console fracassado.
Uma coisa muito intrigante e estranha me chamou a atenção
essa semana. E essa mesma coisa é o que me motivou a escrever esse poste. A
Namco Bandai acaba de anunciar um novo jogo da franquia ‘Digimon’, intitulado ‘Digimon
Story: Cyber Sleuth Hackers’ Memory’, mais um da série ‘Cyber Sleuth’. Bem, até
aí, tudo beleza, mas o que realmente me incomodou foram as plataformas para o
qual ele foi anunciado.
O Jogo chegará com exclusividade para os consoles da Sony,
o PlayStation 4 e o portátil PlayStation Vita, e o anúncio de exclusividade
para este último foi o que realmente me deixou muito ‘P’ da vida.
Vocês já ouviram aquela velha história de que os Jogos de
Pokémon são melhores que os de Digimon? Pois é, e essa falácia já existia bem
antes do ‘Pokémon X/Y’ e dos gráficos em CG/3D. E porque isso? Bem, além do
enredo melhor desenvolvido e da simpatia dos monstrinhos de bolso ser maior do
que a dos Digitais, os games de Pokémon eram lançados para o console portátil
da Nintendo, que sem medo de errar, era tido como ‘deus’ entre os portáteis.
A Big N pode realmente ter perdido as beiras entre os
consoles de mesa, não mais representando uma ameaça para Sony e Microsoft neste
segmento, mas desde sempre, a gigante japonesa foi líder absoluta entre os
portáteis, não dando margem para que nenhuma concorrente a desafiasse neste
segmento.
Somente ‘Pokémon’, já era visto como um ‘Killer’ entre os
portáteis, pois sua exclusividade não dava margem de crescimento para
concorrentes, que não conseguiam e até hoje não conseguem lançar nada que venha
a se equiparar. Pokémon é a razão principal da Nintendo ser líder isolada nos
portáteis, deixando a Sony comendo poeira.
Isso aconteceu na primeira geração da nova era dos
portáteis, onde tínhamos uma briga acirrada entre o Nintendo DS (e suas
variáveis) e o PlayStation Portátil (PSP). Na época, o console da Sony tinha
muito mais jogos e lançamentos significativos do que tem hoje em dia, o que
levou o mesmo a vender mais de 80 milhões de unidades no mundo todo. Um número
surpreendente, mas que não chega a surpreender tanto quanto os assustadores 154
milhões de vendas que o Nintendo DS teve na mesma época.
Hoje, estamos em uma nova era, onde temos o Nintendo 3DS (e
suas variáveis) competindo com o PlayStation Vita. Contudo, embora tenha um
hardware superior, a gente sabe que no mundo dos games, o que importa é ter
títulos. Os exclusivos da Nintendo, carregando suas franquias de peso funcionam
melhor em portáteis do que em mesa, logo, jogar Mario no 3DS pode ser mais
divertido que no Wii U, e isso proporciona um interesse maior, e claro, o
matador Pokémon estava lá, ganhando finalmente seus gráficos em CG/3D
semelhantes aos games de mesa desenvolvidos para o finado Game Cube.
Essa combinação garantiu para a Nintendo a venda de 60
milhões de unidades do Nintendo 3DS e suas variáveis até o momento. Ta, mas e o
PS Vita?! O Console da Sony foi um verdadeiro fracasso para essa nova geração,
não chegando aos pés do console da Nintendo e nem mesmo aos do seu antecessor.
Foram somente 14 milhões de unidades vendidas no mundo todo, sendo a maioria
delas no Japão.
Tanto que muitos títulos lançados para o Vita, permanecem
exclusivos do território japonês e não ganham distribuição mundial. O número de
jogos caiu muito, deixando o lançamento da Sony com pouquíssimos títulos para o
desfrute do público, fora que ele também é relativamente mais caro que o 3DS,
então se somarmos o preço do console, mais a baixa disponibilidade de títulos e
as vendas aquém do esperado, qual é o sentido de ainda se investir na
plataforma?!
A Namco Bandai teve que relançar Digimon Story: Cyber
Sleuth para Nintendo 3DS posteriormente ao lançamento para o Vita, e o motivo
foi justamente as baixíssimas vendas da versão portátil.
O Vita não tem ‘usuários’ o suficiente para manter algo
como exclusivo, pois isso resulta em prejuízos para a desenvolvedora. Já o 3DS,
vende feito água na feira devido a Pokémon, o que chama a atenção das
produtoras quase que exclusivamente para ele nos portáteis.
A Grande maioria dos jogos de peso entre os portáteis, são
lançados apenas para 3DS, e diferente do Vita, eles não ganham uma versão
posterior para o concorrente não, porque o 3DS sustenta Exclusivos, já o Vita
não.
Lançar exclusivamente para PlayStation 4 é uma decisão
assertiva, uma vez que a Sony é líder absoluta entre os consoles de mesa, e
sobre isso, ninguém questionou a Namco, mas o lançamento para o Vita é de se
estranhar, considerando o prejuízo anterior.
Me admira que a Namco seja tão otimista, ou trouxa, de
escolher o Vita como o console oficial de Digimon entre os portáteis. Deveria
ao menos, lançar tanto para Vita quanto para 3DS, ou se fosse o caso de optar
por exclusividade, que escolhesse o 3DS, pois a nova série do Digimon pode
estar fadada ao esquecimento nos portáteis devido à baixa penetração do Vita no
mercado.
A franquia, como ocorreu anteriormente, irá sobreviver das
vendas do PlayStation 4, e não me surpreenderia se a Namco se arrependesse
depois e relançasse para 3DS.
Até Yokai-Watch, ferrenho concorrente de Pokémon e apontado
como um dos matadores da franquia, escolheu o console da Nintendo, que dá
prioridade ao rival para poder se valer, e até então, a estratégia vem dando
certo.
Agora eu pergunto, qual é o problema da Namco? Ela não fez
estudos de mercado? Não analisou os números? Ou está presa contratualmente com
a Sony, sendo obrigada a lançar exclusivamente para o PS Vita? Não sabemos a
resposta, mas devo dizer com convicção, que lançar ‘Digimon’ exclusivamente
para PS Vita é uma decisão errada e perigosa comercialmente, uma vez que o
retorno não é garantido.
Além do mais, reduz o alcance da franquia, fazendo as
pessoas deixarem Digimon de lado e sempre se focarem no ‘grandioso’ Pokémon.
Dessa forma, os monstrinhos digitais vão continuar no limbo e a serem vistos unicamente
como uma ‘cópia’ de seu parente rico da Big N. Afinal, qual a visibilidade que
a franquia tem estando somente no Vita?!
Deixo essa para vocês pensarem...
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