[CRÍTICA]: Mulher Maravilha


4a Longa do Universo da DC chega premiado de qualidade, mantendo a fórmula da Editora e ainda empoderando as Mulheres

Eu tive a oportunidade de assistir Mulher Maravilha na Sexta, Dia 2 de Junho, um dia após a estreia que ocorreu por aqui no Dia 1a. E como é de praxe, fui totalmente categorizado, usando uma camisa personalizada da personagem e ainda por cima comprei o Balde Personalizado na Bomboniere do Cinemark. 

Totalmente preparado, então lá fui eu esperando ver um espetáculo tão grandioso quanto Batman VS Superman: A Origem da Justiça, tão introdutório quanto O Homem de Aço, e tão mais solto quanto Esquadrão Suicida, e foi exatamente o que me ocorreu.

Confesso que o Coração disparou quando o logo da Warner e da Ratpac surgiram na tela, porque em seguida, vimos o novo logo da DC, que naquele 3D maravilhoso ficou lindo e chamativo. Gloriosa és tu, DC!

Bem, o que posso falar de Mulher Maravilha, afinal de contas?! Acredito que Gal Gadot realmente quebrou a cara de muita gente com esse filme. A Atriz foi duramente criticada na época da seleção do elenco para o filme, devido ao seu corpo - que na época, realmente era muito magro. - e também pela ausência dos olhos azuis. Gadot sofreu muita represália, não somente os 'haters' da DC, mas também dos próprios fãs, que apontaram nomes como Megan Fox e outros para realizar o papel da personagem.

Contudo, após Batman VS Superman, muito dessa perspectiva negativa em cima da atriz desapareceu, deixando claro que a mesma faria um trabalho eficiente. Mas não era bem eficiência que os fãs queriam. Eles queriam qualidade, queriam ver mais do que os olhos mostravam e queriam sentir que Gadot realmente era a 'Mulher Maravilha'. Dito e feito... Foram dietas, muita musculação, treinos pesados e acredito que muitas horas também lendo as HQs.

Gal Gadot é oficialmente a Mulher Maravilha, e ela convenceu até quem não gosta da DC sobre isso. A Atuação dela é consistente e fiel, ela se mantém presa a ideologia de uma Mulher Maravilha recém chegada a Sociedade dos Homens após viver anos em seu paraíso particular, onde o mal aparentemente não existia. Conhecer a maldade e a loucura no Coração dos Homens é algo que, talvez com o passar do tempo, torne a Mulher Maravilha de Gadot uma guerreira mais fria, direta e menos 'boazinha' por assim dizer, embora os ideais de justiça permaneçam. 

Digamos que ainda é uma Mulher Maravilha um pouco longe da que vemos nas HQs, onde a garota consegue ser ríspida, direta e afiada como uma espada quando quer. Acho que faltou isso, mas para um filme introdutório, onde sabemos que a personagem ainda estará para viver tudo o que se tem para viver num mundo cinza e sombrio, a interpretação e construção da personagem está mais do satisfatória.

A Química dela com Chris Pine, e olha que isso foi uma unanimidade entre os críticos, é realmente notável e funciona divinamente bem. Os Atores se entregam com tanta paixão aos papéis que realizam no filme que nos fazem acreditar em tudo aquilo, que tudo o que vemos é real. E isso é o que chamamos de 'A Magia do Cinema', algo que não vemos em qualquer filme hoje em dia.

Por falar em Pine, nem preciso dizer que o Steve Trevor dele também estava ótimo, embora fosse um personagem menos 'cafajeste' e 'mulherengo' como somos acostumados a ver nas HQs e nos filmes de animação. O Trevor de Jenkins é um homem mais maduro, responsável, preocupado e menos libertino do que pensávamos que ele seria. Novamente, e para quem está acostumado com o 'padrão' Steve Trevor, a construção pode soar estranha, até mesmo infiel, mas eu diria que essa nova visão, de um homem mais correto e dedicado caiu muito bem com a cara de 'bom moço' de Pine.

Os demais personagens secundários chegam para dar algo que a DC não se preocupava em seus filmes até o lançamento de Esquadrão Suicida: O Alívio Cômico.

O Ambiente e o cenário do filme, e sejamos francos, não era divertido ou amistosamente feliz. Todos estavam vivendo sob a ameaça da Guerra, que a cada dia, tornava-se mais feroz e ceifava mais vidas. Em meio a isso, não havia muito o que se fazer, a não ser lamentar pelas vidas perdidas, se embriagar no bar mais próximo e torcer para não ser o próximo a morrer em combate. Em meio a isso, e talvez isso seja algo verídico, existem aqueles que conseguem ver certo 'humor negro' no cenário apocalíptico que uma Guerra traz. É o famoso 'rir das desgraças'. E Grupinho de Diana e seus companheiros traziam isso, quando muitas vezes serviam para aliviar a tensão sombria e realista que um cenário de guerrilha evidenciava. Talvez assim, fosse mais fácil de digerir todo aquele caos para a audiência mais sensível.

E Claro, os vilões. Homens com objetivos, confundidos e iludidos pelos dizeres de Ares, que sussurrava em seus ouvidos as tramoias para o Caos. Contudo, contrastando com os vilões extremamente inteligente ou super dotados dos filmes anteriores, os vilões de Mulher Maravilha eram um tanto quanto 'pastelões'. A Doutora Veneno não possuía ambições reais no que diz respeito a dominação global ou mesmo a criação de algum plano mirabolante que a colocasse como ameaça central na trama. Não, nada disso, era apenas uma 'pau mandado' de alguém que ela julgava ser o verdadeiro vilão, o verdadeiro Chefe, o verdadeiro Senhor da verdade e acima de tudo, possivelmente e de forma bem sutil, alguém por quem ela nutrisse até mesmo certo 'desejo amoroso'.

Sobre o General, que muitos acharam ser o Ares desde o início, ele também deixou muito a desejar com o passar do filme. Não imaginei que o deus da Guerra fosse tão infantil e limitado como ele mesmo se mostrou. Inclusive, pensei em algo bem ao estilo Cavaleiros do Zodíaco, onde a consciência de Ares ainda não havia sido despertada no mesmo. Ou até mesmo que ele estava 'escondendo o jogo', fingindo ser fraco, incompetente e por vezes, até burro, de proposito, para que assim pudesse fazer uma aparição triunfal no final. Porém, não foi isso o que aconteceu, e no final das contas, era apenas mais um vilão bobalhão aquém do esperado, jogado lá unicamente para 'encher linguiça' enquanto o real inimigo não se revelava.

Ares, contudo, ficou muito acima da média. Houve realismo em não criar uma Armadura divina extremamente exagerada, e o fato dele ser quem foi, me deixou muito perplexo, pois eu estava tão fissurado no filme, que não parei para ligar as 'linhas' e assim fazer a dedução, que muitos, inclusive, apontaram como óbvia. Os poderes, a luta final, o embate entre bem e o mal e sobre a forma como os 'deuses' viam as falhas dos homens. Tudo isso foi posto em campo dando complexidade e profundidade ao enredo do longa, o que é bem típico da DC. Ela tem essa pegada mais madura.

E claro, Diana defendeu convictamente seus pontos de vista, o mostra que, mesmo que alguém se desaponte com a humanidade - e falo isso me referindo aos deuses. -, a pessoa ainda vai conseguir enxergar o que cada ser humano tem de bom, de sincero e único dentro de si. E enquanto essa 'esperança' perdurar, existiram os heróis, existiram aqueles que lutam pelo bem da humanidade, embora esteja claro que nós, por vários motivos, que não merecemos essa compaixão.

Ainda sobre Diana, ela realmente sofreu uma boa evolução ao decorrer do filme. Era uma garota hiperativa, sonhadora e teimosa enquanto criança, sempre em busca de ação e combate em sua pacata Ilha. Como Mulher, cresceu na inocência de um lugar onde o mal não chegava, embora a mesma estivesse sempre consciente de sua existência fora da segurança de Themiscyra.

Conhecer Steve não foi somente algo que faria Diana ter o seu primeiro contato com um homem. Aquilo era também o seu primeiro contato com a humanidade. Seu primeiro contato com o bem e o mal, com uma pessoa 'cinza', com defeitos e qualidades, influenciada por ambos os lados.

Em Steve, Diana viu as glórias e as loucuras dos Homens, e essa percepção se acentuou ao decorrer do longa.

A Garota era inocente, nunca antes foi desrespeitada, destratada ou mesmo reduzida apenas por ser uma Mulher. Em sua ilha isso não existia, mas Diana conheceu o machista e misógino mundo dos homens, e como Mulher, ela sentiu na pele e ouviu na cara tudo o que uma Mulher ouvia naquele mundo tão desigual e parcial para com seu Sexo.

Era uma outra realidade, um outro mundo, e talvez até a Mulher Maravilha se sentisse deslocada em um lugar tão infeliz como a Londres dos tempos da 1a Guerra.

E foi exatamente aí que eu acho que o filme pecou em uma de suas principais promessas. Eu acho que houve muitos exemplos da conduta machista, e muitos discursos machistas ao longo do filme, e embora eles tivessem sido postos lá no intuito de conscientizar sobre essa ideologia retrógrada, não houve realmente, e de forma notável, nenhum exemplo de Feminismo real no longa.

A Mulher Maravilha sempre foi um símbolo do empoderamento da Mulher e do Feminismo em si. Mas o que ela fez ao ser alvo do machismo na sociedade?! Ela se impôs?! Ela bateu de frente?! Ela se fez ouvir?! Não, ela simplesmente ficou quieta, calada, ouvindo aquelas barbaridades tão comuns na sociedade patriarcal com uma doce, meiga e linda cara de 'abestalhada'.

Uê, mas cadê a revolta?! Cadê o exemplo verbal do discurso Feminista?! Cadê a Diana Prince que se impõem e se faz presente, como Mulher, como deusa, como Guerreira?! Nesses momentos, e posso dizer até mesmo, nesse filme - como um todo. - ela não existiu dentro desse aspecto.

Logo, sim, Mulher Maravilha foi insuficientemente Feminista!

Sobre os cenários em si; Mulher Maravilha é um espetáculo Visual, principalmente em Themiscyra. 'A Ilha Paraíso' realmente remete ao título lhe dado. O Lugar é lindo, e a Warner Bros está de parabéns pela pós-produção caprichosa e de altíssimo nível.

A Londres cinza e suja foi outro ponto alto. Era realista, envolvida na escuridão, nas sombras, no mesmo tom 'Dark' que Snyder ditou para o Universo da DC. O Filme não fugiu de forma alguma da fórmula da DC, mesmo que alguns idiotas digam que ele deu certo porque 'seguiu a fórmula da Marvel'. As piadas no filme, foram postas unicamente para contrastar com a inocência da personagem, e foram postas de forma inteligente e bem dinâmica. Vamos dizer que elas 'deram certo' e não foram 'exageradas'. Diferente do que ocorre na Marvel, onde o humor é usado de forma escrachada, sem medições e nos horários menos indicados. De qualquer forma, Mulher Maravilha se tornou um claro filme da DC ao explorar esse lado obscuro de seu enredo e de suas paisagens. É um filme mais leve que os demais da empresa, de fato, talvez tão suave e delicado como a própria visão de uma Mulher, contudo, Diana conheceu o lado ruim do homem, o lado ruim da sociedade, e como os sentimentos egoístas dos homens podem levar ao Caos no meio de um cenário de sofrimento e morte que a Guerra trás.

Mulheres, Crianças, Animais, e até mesmo Homens mais inocentes. Todos sofrem com a Guerra, e embora tenha faltado 'Sangue'. Houve sim a atmosfera nebulosa, caótica, sombria e cruel de um mundo em Guerra, e isso tornou o filme tão escuro, tão noturno e tão tenso quanto os longas anteriores da DC. Essa é a nossa DC, e Gadot foi a nossa Garota.

Mulher Maravilha, em conclusão, é um filme tão espetacular e maravilhoso quanto os 3 primeiros do Universo da DC, ele não é melhor e nem pior que nenhum deles, apenas manteve a qualidade e a excelência que a DC sempre entregou. É um filme essencial como qualquer outro, e veio para marcar e ficar para a história, pois trouxe, pela primeira vez, uma Mulher ao topo do mundo, mostrando que Super-heroínas são tão importantes como Super-Heróis, e que o lugar de uma Mulher é onde ela quiser, até mesmo no meio de um Guerra junto de vários homens, porque não?! Mulher pode fazer o que quiser, não é mesmo?! ;)

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