As coisas estão começando a ficar mais difíceis.
O Departamento de Justiça do USA (DOJ) anunciou na noite desda Segunda, Dia 20, que estará entrando com uma ação concorrencial contra a fusão das gigantes AT&T e TimeWarner.
O motivo disso, ao que foi alegado, é que essa fusão caracterizaria um monopólio absurdo nos mercados de Telecomunicação e Entretenimento, o que prejudicaria inúmeros competidores.
De acordo com o órgão, a AT&T, que também é dona da DirecTV (maior operadora de TV via Satélite do país) e também do serviço AT&T U-Verse poderia usar os conteúdos da TimeWarner para ferir competidores de forma direta e indireta. Como exemplo, a gigante norte-americana poderia tornar os conteúdos da TimeWarner como exclusivos de suas plataformas, o que já prejudicaria todos os demais concorrentes, ou mesmo encarecer em demasiado os valores cobrados pelos canais da Turner e HBO em outras operadoras, enquanto que em suas próprias, o valor não sofreria alterações. Tal cenário tornaria a assinatura da DirecTV e demais serviços da AT&T mais baratos e dessa forma, mais populares, bem como a exclusividade de conteúdo também tornaria as empresas do grupo uma opção mais interessante na hora de contratar o serviço. O órgão ainda alegou que está ciente de que existem conversas ocorrendo entre AT&T e COMCAST no intuito de criarem um novo serviço de vídeo sob demanda onde uniriam os conteúdos da TimeWarner aos da NBC Universal (que pertence a COMCAST).
Tal cenário seria catastrófico para o mercado, uma vez que resultaria em monopólios pré-definidos e ensaiados, bem como num encarecimento dos conteúdos para o consumidor final.
Também entra em jogo aqui, a questão política. O atual presidente americano, Donald Trump, disse que lutaria com ferro e fogo para impedir a fusão, e de acordo com algumas fontes, tal situação tem uma motivação política de 'vingança'. A CNN - canal de TV do grupo TimeWarner. - fez campanha contra Trump na época pré-eleição, valorizando as propostas da Rival, Hillary Clinton.
Contudo, independente dos motivos citados pelo DOJ, o fato do mesmo se manifestar publicamente contra a fusão, sem nem ao menos estudar uma aprovação com restrições ou medidas protecionistas, simplesmente entrando com um processo concorrencial, demonstra que as autoridades norte-americanas realmente estão se mostrando muito sérias e resistentes ao tratar desse tema.
A Opinião da AT&T
Ao ficar sabendo da ação, a gigante norte-americana das telecomunicações classificou a situação como 'sem precedentes', todavia, a empresa mostrou-se confiante, alegando que a última palavra não será do DOJ, e que a Corte do Tribunal de Columbia dificilmente irá acatar o processo.
Duas moedas e dois Pesos
É interessante notarmos a forma como a Justiça americana avalia o que seria um 'dano a concorrência'. A DC Comics foi comprada há quase 40 anos pela Warner, contudo, naquela época, antes da existência dos super conglomerados, as leis norte-americanas eram mais amenas em relação a essa questão. Dessa forma, a Warner Communications comprou a Turner, que por sua vez comprou a Hanna-Barbera, a biblioteca de desenhos animados da MGM, e também a HBO, fundindo-se com a Time Inc. e finalmente tornando-se então a TimeWarner, sem nenhuma ou quase nenhuma restrição legal.
Ao passar dos anos 2000, e finalmente estando formados os grandes conglomerados, a Justiça Americana começou a enrijecer as leis e torna-las mais efetivas no combate ao monopólio e as ações anti-truste.
Contudo, muita coisa ainda ocorreu nesse período sem que a justiça tomasse parte, como a fusão de US$ 100 Bilhões entre TimeWarner e AOL em 2006. Tratava-se aqui também de uma fusão entre uma empresa de mídia e outra de telecomunicações, mas ao parecer do Governo norte-americano, não havia nada demais.
Em 2008, a Disney anunciou a compra da Marvel Comics por US$ 4 Bilhões, ação essa que não foi barrada pela justiça. Nas mãos da Disney, a Marvel teria poder sem igual, comparando-se ao poder financeiro da DC dentro da Warner.
Isso seria danoso e prejudicial as empresas de quadrinhos independentes, como a Dark Horse Comics e a Image Comics, mas nenhum estudo de risco, concorrencial e de mercado foi apresentado como 'objeção'.
Em 2011, a COMCAST, maior operadora de TV por Assinatura via cabo e fibra óptica do país anunciou a compra da NBC Universal por US$ 30 Bilhões. O Acordo incluía todas as franquias da empresa, o estúdio Universal Pictures, a rede de canais a Cabo Universal Network Television e o canal de TV aberta NBC - terceiro maior do país em audiência.
Houve, claro, alguma resistência por parte da justiça, que de certo modo, ainda que mais ameno, tentou barrar a empreitada, mas no final, não funcionou.
Em 2012, a Disney comprou a Lucasfilm por US$ 4 Bilhões, o que causaria danos a todos os concorrentes da Gigante das Mídias, uma vez que lhe daria o controle de mais franquias bilionárias. Não houve nenhuma objeção ao crescimento do conglomerado Disney aqui.
Em 2015, a empresa chinesa Dalian Wanda Group, a maior empresa na área de mídias existente na China, comprou a produtora norte-americana Legendary Pictures por US$ 3,5 Bilhões e nada houve de oposição por parte da justiça americana.
Ano passado, a COMCAST, através da NBC Universal, comprou a DreamWorks Animation por US$ 3,8 Bilhões, e novamente, a Justiça americana não disse nada ao ver um conglomerado já gigante, se fortalecendo ainda mais.
Nesse meio tempo, a Disney tentou comprar a empresa de brinquedos Hasbro, o que poderia tornar a comercialização de seus brinquedos e franquias algo exclusivo da mesma, prejudicando os competidores e aumentando os preços dos produtos, além disso, a Disney não teria que repartir o lucro se fosse ela a dona da empresa, fora o fato de se apoderar de franquias da Hasbro, como Transformers. Felizmente, o negócio não se concretizou. Contudo, também não houve nenhum único 'pio' da justiça americana em relação a isso. O que nós dá a entender que, se caso se concretizasse, estaria tudo bem.
A própria Hasbro também tentou comprar a concorrente Mattel, o que causaria uma hiper concentração de capital, e consequentemente, um monopólio no mercado mundial de brinquedos. Mas digo novamente, a justiça americana interviu?!
A Disney tentou comprar a 20th Century FOX, que representava 50% da News Corp. Alguém disse algo?!
A Justiça também não se manifestou quando a Disney anunciou seu próprio serviço de Streaming restringindo seu conteúdo a exclusividade desse próprio serviço. Para a TimeWarner, tal situação caracterizaria ilegalidade, mas e para a Disney, porque não é?!
Porém, e independente de qualquer situação, a fusão da TimeWarner com a AT&T parece estar causando sérios incômodos nas autoridades norte-americanas, a ponto de haver tanta resistência ao acordo. De fato, existe mais aí do que os olhos podem ver, e conhecendo os inúmeros atores que existem por baixo dos panos e que podem influenciar decisões políticas, a teorias que podem surgir são muitas, tenebrosas e bem variadas.
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