A FOX parece que não está mais aguentando.
A 20th Century FOX, um dos mais antigos e tradicionais estúdios de cinema norte-americano, e atualmente, o 4a mais lucrativo do mercado, parece que não está mais aguentando a pressão.
A indústria mundial está vivendo uma nova era do Capitalismo, onde o desespero exacerbado de seus diretores, executivos e acionistas por mais e mais lucro, está colocando todas as empresas em uma posição difícil.
Hoje em dia, não é suficiente para uma empresa ter 'lucro', ela precisa ter 'muito lucro', e com o aumento da concorrência, isso torna-se ainda mais difícil, pois mais dinheiro é investido para melhorar a qualidade dos produtos oferecidos por aquela empresa, enquanto o lucro que entra é menor, tendo em vista o número grande de players no mercado.
A solução encontrada pelos executivos para isso é a redução da concorrência e a incorporação de empresas. Desse jeito, é somado as receitas de duas empresas, enquanto um player a menos deixa de existir no mercado.
Essa tática vem acontecendo não somente no mundo do entretenimento, mas em diversos mercados em geral. Contudo, é difícil imaginar que estúdios que possuem mais de 100 anos de existência e independência, possam estar, a essa altura de suas vidas, sendo vítimas da própria ganância que os tornou gigantes.
Esse cenário de compra e fusão de empresas de entretenimento começou com a queda da MGM, que se acentuou na década passada. Na época, a empresa foi posta a venda por US$ 5 Bilhões de dólares, mas sua aquisição não foi concretizada por nenhuma das interessadas.
A MGM então se reestruturou e se tornou uma produtora, e não mais um estúdio, precisando então estar sempre apoiada em algum grande estúdio para se manter firme no mercado.
Em seguida, veio a DreamWorks, que tinha potencial para ser tão grande quanto a Disney, mas o resultado de alguns de seus filmes levaram a empresa ao endividamento, e o contrato de exclusividade com a Paramount Pictures salvou a empresa do falência na época. Contudo, a DreamWorks não permaneceu por muito tempo como parceira da Paramount. A empresa conseguiu com a própria FOX um acordo melhor, e migrou para a concorrente da grande montanha.
Isso, obviamente, não melhorou a situação para a DreamWorks, uma vez que seus filmes de animação continuavam a dar prejuízos. O resultado então foi a compra da mesma pela Universal Pictures recentemente.
A Disney também foi outra que começou a ver para onde o mercado estava caminhando, e para não correr o risco de se tornar apenas mais uma, a atual líder do mercado hollywoodiano resolveu dar seus passos nas aquisições 'bilionárias'. Começando pela compra da Marvel Comics por US$ 4 Bilhões em 2008, e seguido pela compra da Lucasfilm por também US$ 4 Bilhões em 2012.
Isso garantiu ao estúdio um crescimento nato, e o atual valor de mercado de US$ 150 Bilhões. Inclusive, a Disney é a empresa com o maior poder aquisitivo dentro desse aspecto mercadológico. A empresa até chegou a propor a compra da Hasbro (dona da franquia Transformers e outras), da Sony-Columbia e da Warner Bros, mas nenhum dos três negócios seguiu em frente.
A Universal, por sua vez, estava passando por momentos difíceis no mercado, e a sua empresa mãe, a NBC Universal, dona do canal aberto norte-americano NBC, da rede de TV a Cabo da empresa e do estúdio Universal Pictures foi comprada pela gigante americana COMCAST, uma das maiores operadoras de telecomunicações do país pelo valor pífio de US$ 30 Bilhões.
Após isso, a Universal e as demais divisões da NBC foram reestruturadas e hoje o estúdio é o 3a mais lucrativo do mercado.
A Warner Bros vinha se sustentando sozinha. No passado, a empresa já havia sido o maior conglomerado de mídias do mundo, chegando a valer os mesmos US$ 150 Bilhões de dólares que a Disney vale hoje. Contudo, a empresa foi vendendo divisões menores, reestruturando outras e fazendo cortes. Em 10 anos, a TimeWarner desvalorizou cerca de 50%, estando disponível por US$ 75 Bilhões.
Gigantes como Google, News Corp., Apple e até mesmo a Disney ficaram interessadas, mas quem levou mesmo foi a AT&T, rival histórica da COMCAST no mercado americano, que comprou a empresa por US$ 85 Bilhões, e hoje, graças a esse feio, elevou seu valor de mercado para US$ 300 Bilhões, o dobro do que vale a Disney.
A própria Lionsgate, que é um estúdio menor, também fez suas aquisições, comprando a distribuidora Summit Entertainment.
A FOX então se viu sozinha... Todas as suas concorrentes estavam comprando ou sendo compradas, elevando seus valores de mercado, ganhando novos caixas, aumentando suas participações e possibilidades de competição, mas e ela? O que aconteceria?!
Num meio onde todas as demais precisavam de uma plataforma para se sustentar, qual seria a plataforma em que a FOX iria se sustentar?! Ela olhou para um lado, e outro para o outro, e não via aonde se segurar.
Lionsgate, Sony-Columbia e Paramount Pictures eram negócios muito arriscados e que não valeriam o esforço. Disney, Warner e Universal estavam blindadas, seus conglomerados eram caros demais para o caixa da FOX. E o que a FOX faria?! Simples, se não dava para comprar alguém, ela se venderia para alguém. E foi assim que chegamos aonde estamos.
A FOX entrou em contato com a Disney, que de todas, parece a mais disposta a continuar comprando outras empresas, oferecendo mais de 50% de seu capital para a concorrente.
Dentro desta área ofertada para a Disney, estão inclusos o canal de TV Aberta norte-americano (no Brasil, é canal fechado) FOX, os canais a cabo FX, FXX, National Geographic, Nat Geo Wild e outros. O estúdio de cinema 20th Century FOX, a produtora Blue Sky Animation (responsável por franquias como A Era do Gelo e Rio), além de propriedades intelectuais de alto nível da FOX, como Outcast, Os Simpsons, The American Dad e Family Guy. A Disney também iria adquirir a participação da FOX no serviço de Streaming Hulu, concorrente da Netflix.
Na América Latina e Brasil, a Disney ainda levaria a rede de filmes premium do grupo, a FOX Premium, a participação de 40% na rede de filmes premium brasileira Telecine, o canal a cabo FX Movies e outros exclusivos que a FOX tem na região.
Caso ocorra, a Disney pode sair da HBO na América Latina e migrar para o FOX Premium, bem como se firmar como parceira permanente da Telecine no Brasil.
A única parte da News Corp. que não entra na brincadeira é a parte editorial, que envolve jornais como o The Wall Street Jornal, e os canais de notícias e esportes do grupo, como o FOX News e o FOX Sports, que deverão ser renomeados caso a FOX seja realmente comprada.
O Valor da negociação não foi revelado, mas caso ela se complete, a Disney recupera automaticamente os direitos de Quarteto Fantástico e X-Men, e poderá usar esses heróis no Universo Cinematográfico da Marvel.
Além disso, o valor da empresa deverá subir para algo acima dos US$ 200 Bilhões, tornando-a ainda mais imponente no mercado.
A Disney também poderá ficar com todas as bilheterias da FOX, que inclui franquias como Alien, Predador e o mega sucesso que até hoje é o filme de maior bilheteria da História: Avatar.
Ou seja, a Disney só tem a ganhar com isso, mas somente se a negociação realmente for pra frente.
Vamos aguardar e ver como será mais esse capítulo da eterna briga das gigantes americanas por poder, e também poderemos assistir de camarote, mais uma grande empresa perder a sua independência e se fundir com outra, deixando assim de existir e reduzindo a concorrência no mercado.
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